Cotações Mapas Notícias em seu e-mail
Precisa vender? Mais de 6.000 visitantes diariamente esperam pelo seu produto aqui no Pecuaria.com.br. Clique aqui e veja como e facil anunciar!
Arroba do Boi - R$ (À vista)
SP MS MG
197,00 176,00 189,00
GO MT RJ
181,00 181,00 181,00
Reposição - SP - R$
Bezerro 12m 1870,00
Garrote 18m 2100,00
Boi Magro 30m 2700,00
Bezerra 12m 1270,00
Novilha 18m 1580,00
Vaca Boiadeira 1860,00

Atualizado em: 3/4/2020 10:14

Cotações da Arroba: SP-Noroeste, MS-Três Lagoas, MG - Triângulo, GO - Região Sul, MT - Rondonópolis, RJ-Campos
Clique aqui e veja cotações anteriores

 

 

 

 


 
Receba, diariamente, em seu
e-mail nosso boletim com os assuntos que mais interessam
ao profissional do setor.

Clique aqui e inscreva-se gratuitamente.


Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

Reforma agrária: quantidade dez, qualidade zero

 
 
 
Publicado em 23/02/2007

Xico Graziano

Nunca se assentou tanta família em tão pouco tempo. A briosa frase, proferida recentemente pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, comprova uma ousadia. Simultaneamente, expõe uma temeridade. A reforma agrária brasileira bate recordes de quantidade. Sua qualidade, todavia, é sofrível.

Segundo os dados oficiais, entre 2003 e 2006, foram realizados 381.419 assentamentos. Apenas em 2006, ano eleitoral, 136 mil famílias receberam terra. Orgulha-se o ministro: "trata-se do maior número de assentamentos feitos num só ano, desde que o Incra foi criado, 36 anos atrás". Pimba.

Somando-se os três últimos governos, dois de Fernando Henrique e um de Lula, 912 mil famílias tiveram acesso à reforma agrária. Considerando o período Sarney, Collor e Itamar Franco, pode-se afirmar que um milhão de famílias tornou-se "com-terra" desde a redemocratização do país. Uma enormidade.

Para comparação, sabe-se existir em São Paulo cerca de 250 mil agricultores. Quer dizer, a reforma agrária já ultrapassou em quatro vezes a agricultura paulista. Em todo o Brasil, somam-se perto de cinco milhões de estabelecimentos rurais. Assim, os assentamentos representam 20% de acréscimo nos produtores nacionais.

Pode-se também aquilatar o tamanho da reforma agrária pela área distribuída. Os dados indicam que a reforma atingiu 51,4 milhões de hectares nos últimos 12 anos. Desde a Nova República a área assentada alcança 60 milhões de hectares. Uma imensidão.

São Paulo cultiva 6,5 milhões de hectares. A safra nacional, neste ano, está plantada em 45,5 milhões de hectares. Somando-se os cultivos permanentes, toda a área explorada chega a 62 milhões de hectares.

Basta confrontar os números. A descoberta é surpreendente. A reforma agrária já tem o mesmo tamanho da agricultura tradicionalmente realizada no país. Na área agrícola, os sem-terra já empatam com os com-terra. E ainda tem gente, incrédula, pensando que a reforma agrária não anda.

Pergunta-se: qual a produção agrícola dos assentamentos rurais? Quanto contribuem para a safra nacional? Pasmem, ninguém sabe. Parece mentira, mas nunca se aquilatou o resultado produtivo da distribuição de terras. Beabá em economia, a relação custo-benefício jamais foi calculada.

As despesas do processo, apenas na última década, devem atingir R$ 50 bilhões. Também aqui, a conta é incerta. Nunca o Incra calculou, pra valer, o custo total dos assentamentos, incluindo a desapropriação, implantação e os subsídios no financiamento. Transparência zero.

Sabe-se, é verdade, existir assentamentos exemplares. São, infelizmente, absolutas exceções. Um chamado "censo da reforma agrária" se realizou há 5 anos. Os indicadores eram preocupantes. Má qualidade de vida se juntava à insuficiência da produção rural, com renda média baixíssima. A desistência sempre foi muito elevada, na média, da ordem de 40%. Troca-se de lote como se compra carro velho.

No governo Lula, aumentou o problema. Milhares de famílias são assentadas sem nenhuma atenção ao planejamento, nem compromisso com a eficácia. Desapropriar continua a ordem do dia. Mais e mais terra é invadida, distribuída, sem melhorar a riqueza no campo. Pelo contrário, eleva-se a pobreza, ou melhor, se a espalha.

Não é estranho, aos estudiosos da reforma agrária, o efeito paradoxal do distributivismo no campo. Realizada sem planejamento, a desagregação da economia agrária troca investimentos por custeio pessoal, fazendo recuar o nível de produção. Aconteceu no Peru. A reforma agrária do esquerdista general Alvarado, no final dos anos 60, picotou a terra e elevou a miséria no campo. Quem visita Cusco enxerga nos mosaicos da paisagem esse drama fundiário.

Resquício do passado, quando o latifúndio representava o mal, a vendeta atual contra a grande propriedade produtiva provoca queda na produção agropecuária. Assim aconteceu na fazenda Teijin, em Nova Andradina, MS. Local de terras fracas, arenosas, a empresa japonesa desenvolvia, após alguns fracassos iniciais, uma pecuária tecnicamente adequada às condições do frágil ecossistema. Não resistiu à ânsia agrarista.

Na desapropriação da área, os próprios agrônomos do Incra desaconselharam o assentamento, face à limitação de fertilidade. A área não servia ao cultivo. Está lá, no processo. Nada adiantou o alerta. Num modelo onde importa a quantidade, seus 28 mil hectares engrossaram as estatísticas do governo. Sumiu a produção.

Agora o MST levou sua sanha até Roraima. A fazenda Bamerindus, próxima de Boa Vista, já dançou. Antigos projetos de colonização, cobertos por floresta virgem, igualmente sucumbem à motosserra. Na Amazônia, grileiros e invasores, ricos e pobres, se aliam para destruir a biodiversidade.

O recorde da reforma agrária brasileira, comemorado pelo governo, poderá, logo, entrar sim para o livro do Guiness. Não pelo tamanho. Será conhecido como o maior fracasso, mundial, de um programa público. Dez na quantidade, zero na qualidade.

A palavra-chave se chama aptidão. Enquanto a invasão de terra, com gente desqualificada, continuar passaporte para um lote, jamais o processo dará certo. Aqui está a virtude, na competência, não na grandeza.

O IBGE promete incluir agora, no Censo Agropecuário, o levantamento dos assentamentos rurais. Finalmente, a sociedade poderá conhecer, objetivamente, a magnitude de sua reforma agrária. Vai se espantar com o esqueleto atrás do armário.

*Xico Graziano é engenheiro Agrônomo, mestre em Economia Rural e doutor em Administração, foi Presidente do INCRA no governo Fernando Henrique Cardoso e Secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, hoje é o Secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

  Compartilhe Compartilhe esta matéria    Imprimir

 


   Leia também:
 
[03/04/2020] - Arroba: frigoríficos acham boi e seguram compras
[03/04/2020] - O boi vai cair mesmo em abril?
[03/04/2020] - Exportações de carne bovina bateram recorde
[03/04/2020] - JBS anuncia a contratação de 3 mil funcionários
[03/04/2020] - Milho passa de R$ 60 a saca
[03/04/2020] - China importa suínos por avião
[03/04/2020] - Bolsonaro pode determinar volta ao trabalho

Regras para a publicação de comentários


   Notícias Anteriores
 
[02/04/2020] - Exportações de carne cresceram com força em março
[02/04/2020] - Alta do boi vai continuar?
[02/04/2020] - Mercado do boi está instável
[02/04/2020] - Custo de produção do leite continua subindo
[02/04/2020] - MAPA diz que abastecimento está tranquilo
[02/04/2020] - Bolsonaro quer reunião para retorno às atividades
[02/04/2020] - Dólar perde força após atuação do BC
[02/04/2020] - MP corta contribuição de produtores ao Senar
[01/04/2020] - Governo estuda pacote bilionário para o agro
[01/04/2020] - Arroba: compras da China trazem firmeza ao mercado
[01/04/2020] - Abates tiveram forte queda em março
[01/04/2020] - Boi magro dispara no Paraná
[01/04/2020] - Supermercados e indústrias travam guerra por preço
[01/04/2020] - Leite: MAPA muda normas para beneficiar pequenos
[01/04/2020] - MAPA vai monitorar abastecimento no País
[01/04/2020] - Aftosa: parte de MT interromperá vacinação
[01/04/2020] - Governo argentino quer intervir no preço da carne
[31/03/2020] - Brasil faz a maior exportação de bois da história
[31/03/2020] - Arroba: preço do boi está subindo
[31/03/2020] - Já tem frigorífico pagando R$ 205 pela arroba
[31/03/2020] - A demanda da China vai puxar o preço do boi?
[31/03/2020] - China: habilitação de novas unidades travou
[31/03/2020] - A quarentena afetou o preço da carne bovina?
[31/03/2020] - Leite: preço ao produtor subiu
[31/03/2020] - Supermercados se queixam de forte alta do leite
[31/03/2020] - Consumo de queijo desaba com coronavírus
[31/03/2020] - Milho sobe quase 4% em Mato Grosso
[31/03/2020] - Dólar volta a bater os R$ 5,20
[31/03/2020] - Como prevenir o coronavirus em propriedades rurais
[31/03/2020] - PGR pede liberação das estradas
[30/03/2020] - Exportações à China voltaram a ganhar força
[30/03/2020] - Arroba: pressão dos frigoríficos não funcionou
[30/03/2020] - Carne: consumidor muda e mercado tenta se adaptar
[30/03/2020] - Milho: vendedores esperam que preços subam mais
[30/03/2020] - Atacado puxa para cima índice de inflação
[30/03/2020] - Dólar abre a semana em alta
[30/03/2020] - MS não adiará vacinação contra a aftosa
[27/03/2020] - China voltou a comprar e frigoríficos sobem oferta
[27/03/2020] - Arroba volta ao patamar de R$ 200
[27/03/2020] - Mercado de reposição segue travado
[27/03/2020] - Polpa cítrica subiu com força no último ano
[27/03/2020] - MAPA define serviços essenciais para o setor
[27/03/2020] - MAPA pede apoio para garantir abastecimento
[27/03/2020] - Abrafrigo: mercado não aguenta mais 10 dias
[27/03/2020] - Cidade fecha comércio mesmo sem casos do vírus
[27/03/2020] - Funai anula demarcação de terras no Paraná
[27/03/2020] - MAPA adia prazo para comprovar vacinação
[26/03/2020] - Arroba: frigoríficos já pagam até R$ 6 a mais
[26/03/2020] - Preço da carne não cedeu no atacado
[26/03/2020] - JBS: compras da China voltaram com força

     Clique aqui para ver o índice geral de noticias


 

 

 

Adicione seu site Comprar e vender Atendimento ao anunciante Mais buscados

Venda para a pecuária brasileira através da Internet!
Clique aqui e veja como anunciar no Pecuária.com.br