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Atualizado em: 22/1/2021 09:52

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Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

Exportações do Agro devem bater recorde em 2021

 
 
 
Publicado em 07/01/2021

Depois de um ano de preços e vendas em alta, o agronegócio brasileiro deve viver novo recorde em 2021.

O setor, que ajudou a minimizar o impacto da crise na economia brasileira, deve exportar US$ 112,9 bilhões, segundo projeção da MB Agro.

Caso a projeção se confirme, será a segunda vez na história que a atividade supera a marca dos US$ 100 bilhões em vendas ao exterior. A primeira foi em 2018, com um total exportado de US$ 101,7 bilhões.

Alguns sinais evidenciam o dinamismo do setor. Até o terceiro trimestre, a agropecuária foi a única atividade a registrar crescimento, com alta acumulada de 2,4% segundo o IBGE. Mesmo durante a pandemia, a atividade encerrou 2020 com criação de vagas formais.

Dois fatores explicam os prognósticos positivos para este ano: quantidade e preço.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) prevê colheira recorde de 265 milhões de toneladas de grãos na safra 2020/2021, o que significa alta de 3,5% sobre a anterior. Essa projeção representa um aumento de produtividade, pois a área plantada cresceu apenas 1,6%.

A alta da produção tem papel relevante, mas é a elevação do preço de commodities, como soja e milho, a principal responsável pela estimativa de exportações recordes.

Um dos fatores que contribuem para o aumento da demanda por grãos é a retomada da produção chinesa de suínos. Após a peste suína africana de 2018, que comprometeu cerca de 20% do seu plantel, a China está ampliando a criação de porcos. Os grãos são usados na alimentação dos animais.

A expectativa, porém, é que o recorde de exportações não se traduza em novo salto na inflação de alimentos como no ano passado, quando a escalada de preços foi de tal magnitude que alguns supermercados chegaram a restringir temporariamente a compra de unidades de alguns produtos.

Isso em razão do fim do auxílio emergencial, que aumentou a demanda entre as famílias de renda mais baixa, e da perspectiva de um ano com menos sustos no câmbio.

“O produtor começa o ano com uma perspectiva muito boa. Os preços internacionais estão em patamares elevados e muitos produtores já venderam a próxima safra por valores, em dólar, muito maiores que a realizada em 2019/2020. Esse impacto tende a ser maior que o aumento da safra, que ainda pode sofrer com problemas de clima”, afirmou José Carlos O’Farrill Vannini Hausknecht, sócio da MB Agro Consultoria.

De fato, a própria Conab já reduziu sua previsão de safra, que antes estava em 268 milhões de toneladas. Além de estarmos em período de “La Niña”, quando ocorre um resfriamento das águas do Pacífico, alterando todo o clima na América do Sul, as secas maiores que o previsto no segundo semestre causaram atraso no plantio de soja. Este atraso da produção pode afetar ainda a produção de milho.

O clima desta safra está pior e mais desafiador que a safra anterior e já compromete a produção de culturas perenes, como café e laranja, além da cana de açúcar. O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, atualmente coordenador do Centro de Agronegócio na Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), avalia que ainda é cedo para cravar que a produção de grãos baterá recorde.

Porém, além do clima, outro fator determinante no agronegócio em 2021 — e em toda a economia — será a evolução da pandemia. Uma piora no quadro antes que a vacinação em massa surta efeito pode estressar o mercado, que em meados de 2020 correu para formar estoques, por medo de desabastecimento.

“A pandemia trouxe de volta o fantasma do desabastecimento. Isso gerou debates protecionistas, mas, do lado brasileiro, foi uma surpresa positiva, pois estávamos com uma grande safra. Se a pandemia não for debelada no primeiro semestre, é muito provável que a demanda global por alimentos continue muito aquecida. Por outro lado, é possível que não tenhamos planos de auxílio tão grandes, que elevam a demanda por alimentos. Essa é a variável fundamental em 2021”, afirmou Rodrigues.

Tarso Veloso, gerente da AgResource, em Chicago, nos EUA, afirma que a perspectiva de preços de commodities em alta segue por mais um ano, em razão da maior demanda global por causa da pandemia.

“O que acontece agora no mercado é uma demanda ainda crescente da China e de outros mercados e uma frustração de safra grande. Tivemos quebra de safra de trigo na Rússia, no ano passado em Iowa, Estados Unidos, e agora tivemos o pior início de safra de soja, na plantação, no Mato Grosso em 40 anos”, disse.

Ele afirma ainda que o agronegócio brasileiro tende a viver em 2021 um novo risco: a questão ecológica. A má imagem do país no setor pode afetar negócios: “Empresas e governos vão usar o desmatamento da Amazônia para criar barreiras comerciais, fitossanitárias e tentar baixar os preços de produtos brasileiros”, disse Veloso, lembrando que pode ser o argumento de governos protecionistas. “A postura do governo prejudica o agronegócio”.

Apesar das previsões de aumento das exportações esse ano, a expectativa é de uma pressão menor nos preços e no bolso do brasileiro.

“Os fatores que afetaram muito em 2020 começam a perder força, como uma demanda menor e um câmbio menos valorizado, que havia ativado a exportação de alimentos. E tivemos uma alta de preços no mundo inteiro”, afirmou Bruno Lucchin.

E acrescentou: “O índice de preços da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) aumentou 11% até outubro, pois alguns países tiveram problemas com suas cadeias de distribuição e nações asiáticas, que consomem muito arroz, tiveram graves casos de seca. A gente imagina que vai diminuir a pressão”.

Segundo Lucchi, o início da vacinação em massa deve reduzir a tensão sobre o mercado de alimentos, aliada a uma retomada ao trabalho presencial em algumas atividades. Sem todo mundo em casa o tempo todo, a perspectiva é que o consumo de arroz e feijão não repita o desempenho do ano passado.

Além disso, a área plantada de arroz deve aumentar. Lucchi lembra ainda que, com o aumento da alimentação fora de casa, entre 2013 e 2019, o consumo de arroz caiu 19% e o de feijão, 10%, segundo dados do IBGE. Com informações do Diário de Cuiabá.

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