Cotações Mapas Notícias em seu e-mail
Precisa vender? Mais de 6.000 visitantes diariamente esperam pelo seu produto aqui no Pecuaria.com.br. Clique aqui e veja como e facil anunciar!
Arroba do Boi - R$ (À vista)
SP MS MG
247,00 242,00 245,00
GO MT RJ
235,00 230,00 237,00
Reposição - SP - R$
Bezerro 12m 2180,00
Garrote 18m 2430,00
Boi Magro 30m 3010,00
Bezerra 12m 1860,00
Novilha 18m 2330,00
Vaca Boiadeira 2440,00

Atualizado em: 21/9/2020 09:40

Cotações da Arroba: SP-Noroeste, MS-Três Lagoas, MG - Triângulo, GO - Região Sul, MT - Rondonópolis, RJ-Campos
Clique aqui e veja cotações anteriores

 

 

 

 


 
Receba, diariamente, em seu
e-mail nosso boletim com os assuntos que mais interessam
ao profissional do setor.

Clique aqui e inscreva-se gratuitamente.


Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

Corda de enforcado

 
 
 
Publicado em 18/07/2007

Xico Graziano

Algo de errado acomete as finanças da agropecuária nacional. Quanto mais o campo se desenvolve, mais produtores se penduram na carteira do banco. O endividamento do setor rural triplicou em dez anos, atingindo R$ 131 bilhões. Alguém trabalha, outrem ganha.

O governo se gaba. Acaba de anunciar que a agricultura terá crédito de R$ 70 bilhões para o plantio da próxima safra. O recurso ultrapassa 16% o valor anterior. Caiu ainda a taxa de juros do custeio básico, de 8,75% para 6,75%. Aumenta, a cada ano, o crédito rural.

A dívida rural, porém, também se eleva continuamente. A somatória dos débitos já ultrapassa 60% do Produto Interno Bruto (PIB) da agricultura. Tal proporção, em 1995, representava 35%. Piora a cada safra.

É contraditório. O agronegócio vai bem. Evolui a área plantada, rebanhos se multiplicam, a tecnologia se moderniza, as exportações estouram. As fronteiras se expandem, a agroindústria se multiplica. Tanta pujança no campo, todavia, menos se reflete no bolso do agricultor. O agronegócio lucra, o agricultor se aperta.

O endividamento do campo surgiu, ou melhor, aflorou em 1994, com a estabilização da economia. Antes do Plano Real, ninguém sabia, na verdade, quanto devia. Nem interessava. Através do conhecido "mata-mata", tomava-se crédito para quitar o débito anterior. Empurrava o buraco para frente.

A ciranda financeira, com tudo indexado, resultava num ciclo vicioso. Agricultores, como tantos na economia, dedicavam-se mais a gerenciar seu caixa bancário, menosprezando a produção. Parecia mágica. Dinheiro do cheque especial pagava conta de adubo; crédito de custeio virava caminhonete. A ilusão monetária permitia qualquer trambique. Trabalhar menos valia.

Quando a nova moeda assoprou, definitivamente, a fumaça da inflação, o rombo acabou descoberto. Com um agravante. Famigerados planos econômicos, anteriores ao Real, provocaram um descasamento entre as dívidas rurais e os preços agrícolas. Criou-se um fosso entre a receita e o custo da produção.

Durante bom período, naqueles anos, atordoados e temerosos, milhares de agricultores fugiram dos bancos. Depois, ameaçados de execução judicial, tomaram coragem para espernear. Assim promoveram, em 1995, o primeiro tratoraço em Brasília. Quando Fernando Henrique decidiu, corretamente, securitizar as dívidas do setor, foi aí que o sistema bancário, puxado pelo Banco do Brasil, barbarizou. Taxas de inadimplência, multas contratuais e demais sem-vergonhices financeiras engordaram os débitos agrícolas. Resultado: quem financiou um trator, acabou devendo quatro.

De lá para cá, nunca mais a situação se normalizou. Sucessivas rolagens trouxeram à situação presente. Há, também, débitos novos. Entre 2004 e 2006 verificou-se recuo na renda da agropecuária, causada pela queda dos preços internacionais, combinada com a valorização do câmbio. Pesou, também, o elevado custo do óleo diesel, dos fertilizantes e agrotóxicos. Conjuntura perversa.

O xis da questão do endividamento rural está na instabilidade da renda. Sabe-se que existe época de vaca gorda, entremeada com fase de vaca magra. No caso brasileiro, entretanto, conforme denominou Marcos Jank, o problema não é cíclico, mas ciclotímico. O humor da agricultura varia de eufórico para depressivo em tempo recorde.

Uma espécie de psicose maníaco-depressiva do campo se alimenta no sistema de crédito rural. Nos momentos de bom ganho, os empréstimos ultrapassam, num piscar de olhos, a própria capacidade de pagamento. Foi o que ocorreu no começo dessa década. Produtores rurais financiaram máquinas acima do recomendável. Enquanto a carência se cumpria, céu de brigadeiro. Dois anos depois, porém, as parcelas do principal fritaram o freguês. Tempestade brava.

Corda de enforcado. Crédito subsidiado, sem amparo no planejamento cuidadoso, pode criar nova dependência, quando não leva à falência e à perda da terra. Esse processo acaba por enfraquecer o campo. Onde está o equívoco?

Ao invés de mais crédito, carece a agropecuária de um sistema de seguro, capaz de oferecer maior estabilidade à sua renda. Ano passado, cerca de R$ 50 bilhões engordaram as carteiras de financiamento. No seguro rural, entretanto, o dispêndio mal atingiu R$ 40 milhões. Menos de 0,1% dos empréstimos. Aqui reside a grande fragilidade da agropecuária nacional.

Há uma década, desde a crise pós-Plano Real, restou claro que o objetivo básico da política agrícola deveria ser a proteção da renda. A lição se perdeu no tempo. Agora, nova rolagem será efetuada, prorrogando parcialmente dívidas no valor de R$ 6,5 bilhões. Filme velho. Empurra com a barriga a montanha do endividamento rural.

Polan Lacki, agrônomo ligado a FAO, escreveu certa vez instigante artigo, onde perguntava: "No guichê do banco ou no banco da escola?". Tentava ele responder aos dilemas do desenvolvimento rural latino-americano. Fica claro, aos estudiosos da economia rural, que a grande massa dos agricultores carece de educação empreendedora. Um choque de profissionalismo e consciência empresarial. Rumo à tecnologia.

Crédito rural somente funciona bem quando vinculado a projeto técnico de produção, amparado por mecanismos de proteção da renda do agricultor. Fora disso, coberto pelo Tesouro, dinheiro farto alimenta a malandragem e cultiva oportunistas. Agricultor que se preze gosta de trabalhar duro. Sabe que filho mimado, com mesada fácil, não aprende a viver.

*Xico Graziano é engenheiro Agrônomo, mestre em Economia Rural e doutor em Administração, foi presidente do INCRA no governo Fernando Henrique Cardoso e Secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, durante o primeiro mandato de Mário Covas, ao término do qual foi eleito Deputado Federal. Hoje é o Secretário de Estado do Meio Ambiente.

Artigo publicado dia 17/7/2007 pelos Jornais O Estado de S. Paulo e O Tempo (MG).

  Compartilhe Compartilhe esta matéria    Imprimir

 


   Leia também:
 
[21/09/2020] - Agro registra superávit comercial recorde em 2020
[21/09/2020] - Bolsonaro: Agro evitou colapso do Brasil
[21/09/2020] - Arroba do boi chega a R$ 250 no Pará
[21/09/2020] - Arroba do boi sobe no Norte e no Centro-Oeste
[21/09/2020] - Milho: compradores saem do mercado
[21/09/2020] - Governo crê em lobby contra acordo UE-Mercosul
[21/09/2020] - Peste suína: mais seis casos na Alemanha
[21/09/2020] - Sementes não-solicitadas são entregues no RS
[21/09/2020] - OPINIÃO: Desmatamento é conto do vigário

Regras para a publicação de comentários


   Notícias Anteriores
 
[18/09/2020] - Produção da Pecuária poderá bater os R$ 200 bi
[18/09/2020] - DISPARADA: bezerro já subiu quase 70%
[18/09/2020] - Arroba: mercado firme por falta de boi
[18/09/2020] - Comissão Europeia tenta aprovar acordo UE-Mercosul
[18/09/2020] - Bolsonaro: Brasil preserva e sofre ataques
[18/09/2020] - IGP-M dispara 4,5% na segunda prévia de setembro
[18/09/2020] - Produtor recebe sementes não-solicitadas
[17/09/2020] - Preço do boi tem espaço para subir ainda mais?
[17/09/2020] - Arroba: ágio do boi China está cada vez menor
[17/09/2020] - Cepea: boi segue nas máximas históricas
[17/09/2020] - Minerva pode distribuir dividendo milionário
[17/09/2020] - Tereza: produtor sabe que preservar é importante
[17/09/2020] - Mourão: pressão européia tem fundo comercial
[16/09/2020] - Frigoríficos sofrem pressão nas vendas à China
[16/09/2020] - Arroba: frigoríficos reduzem ágio pelo boi China
[16/09/2020] - Bezerro vai continuar valorizado, prevê analista
[16/09/2020] - Frigoríficos preocupados com ameaça européia
[16/09/2020] - Minerva: banco diz que negócio não é tão bom
[16/09/2020] - Minerva prevê crescimento no exterior após negócio
[16/09/2020] - Empresa da Minerva pode ir à bolsa dos EUA
[16/09/2020] - Exportações de milho seguem firmes
[16/09/2020] - FGV diz que PIB teve forte recuperação em julho
[16/09/2020] - Entidade alerta contra sementes recebidas da China
[15/09/2020] - Minerva recebe oferta para venda parte de empresa
[15/09/2020] - JBS vai resgatar dívida de 2024
[15/09/2020] - Exportações mantém ritmo forte em setembro
[15/09/2020] - Arroba: ágio para boi China chega a R$ 5
[15/09/2020] - Arroba: boi subiu no Norte e no Centro-Oeste
[15/09/2020] - Boi teve forte alta em Mato Grosso
[15/09/2020] - Leite: preço ao produtor disparou em agosto
[15/09/2020] - Leite: importação de lácteos bate recorde do ano
[15/09/2020] - Rebanho bovino de Mato Grosso cresceu em 2020
[15/09/2020] - China: suspensões por Covid serão temporárias
[15/09/2020] - China volta a usar reserva estatal de carne
[15/09/2020] - MAPA prevê recorde para a produção do Agro
[14/09/2020] - Disponibilidade de carne aumentará no Brasil?
[14/09/2020] - Arroba: frigoríficos estão pagando mais por fêmeas
[14/09/2020] - JBS é acusada de não proteger empregados nos EUA
[14/09/2020] - Milho: compradores recuam e preços perdem força
[14/09/2020] - Brasil suspende importação de carne suína alemã
[14/09/2020] - Polícia recupera gado furtado em Mato Grosso
[14/09/2020] - Indicador do PIB cresce, abaixo do esperado
[11/09/2020] - Exportações de carne bovina: alta de 12% em 2020
[11/09/2020] - Arroba: alta continua com força em todo o País
[11/09/2020] - Carne bovina segue em alta no atacado
[11/09/2020] - Fundo saudita injeta R$ 400 mi no Minerva
[11/09/2020] - Peste suína chega à Alemanha e ameaça exportações
[10/09/2020] - Abates caíram e estão no menor nível desde 2011
[10/09/2020] - Arroba: boi China já passa de R$ 250
[10/09/2020] - Indicador CEPEA renova máximas nominais

     Clique aqui para ver o índice geral de noticias


 

 

 

Adicione seu site Comprar e vender Atendimento ao anunciante Mais buscados

Venda para a pecuária brasileira através da Internet!
Clique aqui e veja como anunciar no Pecuária.com.br