Cotações Mapas Notícias em seu e-mail
Precisa vender? Mais de 6.000 visitantes diariamente esperam pelo seu produto aqui no Pecuaria.com.br. Clique aqui e veja como e facil anunciar!
Arroba do Boi - R$ (À vista)
SP MS MG
247,00 242,00 245,00
GO MT RJ
235,00 230,00 237,00
Reposição - SP - R$
Bezerro 12m 2180,00
Garrote 18m 2430,00
Boi Magro 30m 3010,00
Bezerra 12m 1860,00
Novilha 18m 2330,00
Vaca Boiadeira 2440,00

Atualizado em: 21/9/2020 09:40

Cotações da Arroba: SP-Noroeste, MS-Três Lagoas, MG - Triângulo, GO - Região Sul, MT - Rondonópolis, RJ-Campos
Clique aqui e veja cotações anteriores

 

 

 

 


 
Receba, diariamente, em seu
e-mail nosso boletim com os assuntos que mais interessam
ao profissional do setor.

Clique aqui e inscreva-se gratuitamente.


Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

O avanço da cana sobre o pasto

 
 
 
Publicado em 11/04/2007

Nelson Pineda

A indústria sucroalcooleira do Brasil vive dias de exuberância e expectativa ímpares. Graças à tecnologia utilizada na produção do etanol, o país ganhou prestígio e despertou o interesse de países desenvolvidos na busca por soluções que diminuam o impacto causado pela poluição na atmosfera. Mas a febre em torno do biocombustível pode trazer conseqüências desastrosas ao setor agropecuário.

Com a perspectiva de que os investimentos estrangeiros vão aumentar consideravelmente nos próximos anos, muitos fazendeiros já pensam em trocar o gado pela cana-de-açúcar, num movimento sem paralelos que pode ter reflexos irreparáveis ao setor pecuarista, sobretudo no interior do Estado de São Paulo.

A disposição dos administradores públicos em incentivar a implantação de novas usinas de beneficiamento de cana é compreensível. Mas não se pode admitir que o entusiasmo em torno do “ouro verde” prejudique o desenvolvimento de setores que também possuem peso inegável na balança comercial, como a pecuária.

Nos últimos dez anos, a exportação de carne bovina saltou de US$ 500 milhões para US$ 3 bilhões, o que permitiu alcançarmos o topo do ranking mundial, com cerca de 20% do mercado, com taxas de crescimento anual em valor (24%) e volume (31%). Mas a contrapartida governamental para estimular o setor ficou aquém do esperado, já que os produtores registraram aumento do custo efetivo de produção de 31% e um acúmulo de perdas que levou os preços da mercadoria ao menor patamar dos últimos 50 anos.

O contrasenso na aplicação de recursos não se limita ao estímulo à cana-de-açúcar. Nos últimos anos, o governo federal destinou milhões de reais para fazer a reforma agrária, em doses inversamente proporcionais ao que foi gasto com a pecuária. O investimento é justo e ameniza a situação difícil de milhares de famílias que vivem em situação de miséria. Mas de nada adianta se não houver o fortalecimento de outras atividades no campo.

A posição privilegiada da pecuária nacional ainda não sensibilizou as autoridades, ao contrário do que ocorre com a cana. Até 2014, nossa liderança no comércio de carne bovina deve ser ainda maior, já que o consumo aumentará consideravelmente, uma tendência que se acentua com o passar dos anos, ao mesmo tempo em que o número de produtores cairá consideravelmente, sobretudo por causa da redução do espaço para a atividade. Nesse sentido, o cenário que se apresenta diante de nossos olhos é fantástico, indicando que somente seis players permanecerão produzindo carne bovina – Brasil, Austrália, Canadá, Argentina, Índia e Nova Zelândia.

Sem investimentos para a implantação de um rigoroso controle de vigilância sanitária, o produtor eficiente viverá ameaçado de ver seu produto rejeitado pela irresponsabilidade de quem não se preocupa em prevenir o surgimento de focos de febre aftosa. Desde 2000, a União Européia determinou a adoção de controles severos na rastreabilidade do gado. Mas ainda hoje o Brasil tem dificuldades para se enquadrar dentro dessas exigências.

As outras mazelas enfrentadas pelo setor são comuns à maioria dos empresários brasileiros, como o câmbio, a política de juros altos e as dificuldades impostas pela lei. Se hoje controlamos um quinto do mercado mundial com todas essas dificuldades, imagine qual seria nossa parcela se houvesse maior seriedade em torno dessas questões.

Enquanto isso, o estímulo à produção de etanol segue a todo vapor, incentivando o capital estrangeiro, com especial atenção para áreas localizadas em São Paulo. Aos poucos, os pequenos produtores alugam suas terras em troca de bons ganhos na colheita da cana. Se o governo estadual não agir rápido, corre o risco de ver essa indústria migrar para regiões como o Vale do São Francisco, no oeste baiano, e os estados de Goiás e do Tocantins. Vai entregar, de bandeja, uma parcela importante da arrecadação tributária e ainda terá de explicar ao consumidor o porquê do inevitável aumento de preços.

O empresário do campo não pode ficar refém da produção de etanol, principalmente porque está comprovado que existe vida além do mar de cana-de-açúcar vislumbrado por nossas autoridades. Se essa insistência se intensificar, a situação do setor pecuarista deve se agravar. Sem dinheiro para desenvolver tecnologia e ampliar a produção, o gado bovino nacional pode começar a gerar desconfiança nos mercados estrangeiros. Se canalizarmos a energia somente em torno da cana-de-açúcar, estaremos regredindo, numa espécie de retorno à monocultura dos tempos do Império. Um retrocesso que pode custar caro.

* Nelson Pineda é engenheiro, pecuarista e Diretor Técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu

  Compartilhe Compartilhe esta matéria    Imprimir

 


   Leia também:
 
[21/09/2020] - Agro registra superávit comercial recorde em 2020
[21/09/2020] - Bolsonaro: Agro evitou colapso do Brasil
[21/09/2020] - Arroba do boi chega a R$ 250 no Pará
[21/09/2020] - Arroba do boi sobe no Norte e no Centro-Oeste
[21/09/2020] - Milho: compradores saem do mercado
[21/09/2020] - Governo crê em lobby contra acordo UE-Mercosul
[21/09/2020] - Peste suína: mais seis casos na Alemanha
[21/09/2020] - Sementes não-solicitadas são entregues no RS
[21/09/2020] - OPINIÃO: Desmatamento é conto do vigário

Regras para a publicação de comentários


   Notícias Anteriores
 
[18/09/2020] - Produção da Pecuária poderá bater os R$ 200 bi
[18/09/2020] - DISPARADA: bezerro já subiu quase 70%
[18/09/2020] - Arroba: mercado firme por falta de boi
[18/09/2020] - Comissão Europeia tenta aprovar acordo UE-Mercosul
[18/09/2020] - Bolsonaro: Brasil preserva e sofre ataques
[18/09/2020] - IGP-M dispara 4,5% na segunda prévia de setembro
[18/09/2020] - Produtor recebe sementes não-solicitadas
[17/09/2020] - Preço do boi tem espaço para subir ainda mais?
[17/09/2020] - Arroba: ágio do boi China está cada vez menor
[17/09/2020] - Cepea: boi segue nas máximas históricas
[17/09/2020] - Minerva pode distribuir dividendo milionário
[17/09/2020] - Tereza: produtor sabe que preservar é importante
[17/09/2020] - Mourão: pressão européia tem fundo comercial
[16/09/2020] - Frigoríficos sofrem pressão nas vendas à China
[16/09/2020] - Arroba: frigoríficos reduzem ágio pelo boi China
[16/09/2020] - Bezerro vai continuar valorizado, prevê analista
[16/09/2020] - Frigoríficos preocupados com ameaça européia
[16/09/2020] - Minerva: banco diz que negócio não é tão bom
[16/09/2020] - Minerva prevê crescimento no exterior após negócio
[16/09/2020] - Empresa da Minerva pode ir à bolsa dos EUA
[16/09/2020] - Exportações de milho seguem firmes
[16/09/2020] - FGV diz que PIB teve forte recuperação em julho
[16/09/2020] - Entidade alerta contra sementes recebidas da China
[15/09/2020] - Minerva recebe oferta para venda parte de empresa
[15/09/2020] - JBS vai resgatar dívida de 2024
[15/09/2020] - Exportações mantém ritmo forte em setembro
[15/09/2020] - Arroba: ágio para boi China chega a R$ 5
[15/09/2020] - Arroba: boi subiu no Norte e no Centro-Oeste
[15/09/2020] - Boi teve forte alta em Mato Grosso
[15/09/2020] - Leite: preço ao produtor disparou em agosto
[15/09/2020] - Leite: importação de lácteos bate recorde do ano
[15/09/2020] - Rebanho bovino de Mato Grosso cresceu em 2020
[15/09/2020] - China: suspensões por Covid serão temporárias
[15/09/2020] - China volta a usar reserva estatal de carne
[15/09/2020] - MAPA prevê recorde para a produção do Agro
[14/09/2020] - Disponibilidade de carne aumentará no Brasil?
[14/09/2020] - Arroba: frigoríficos estão pagando mais por fêmeas
[14/09/2020] - JBS é acusada de não proteger empregados nos EUA
[14/09/2020] - Milho: compradores recuam e preços perdem força
[14/09/2020] - Brasil suspende importação de carne suína alemã
[14/09/2020] - Polícia recupera gado furtado em Mato Grosso
[14/09/2020] - Indicador do PIB cresce, abaixo do esperado
[11/09/2020] - Exportações de carne bovina: alta de 12% em 2020
[11/09/2020] - Arroba: alta continua com força em todo o País
[11/09/2020] - Carne bovina segue em alta no atacado
[11/09/2020] - Fundo saudita injeta R$ 400 mi no Minerva
[11/09/2020] - Peste suína chega à Alemanha e ameaça exportações
[10/09/2020] - Abates caíram e estão no menor nível desde 2011
[10/09/2020] - Arroba: boi China já passa de R$ 250
[10/09/2020] - Indicador CEPEA renova máximas nominais

     Clique aqui para ver o índice geral de noticias


 

 

 

Adicione seu site Comprar e vender Atendimento ao anunciante Mais buscados

Venda para a pecuária brasileira através da Internet!
Clique aqui e veja como anunciar no Pecuária.com.br