05/08/2008O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) decidiu adiar o leilão das mais de três mil cabeças de gado apreendidas pela Operação Boi Pirata, que estava marcado para esta terça-feira, dia 5. Segundo a assessoria de imprensa, ainda não há data prevista para uma nova tentativa de venda do rebanho.
Não houve compradores nos três primeiros leilões organizados pelo Ministério do Meio Ambiente. Na primeira tentativa de leilão, foi exigido R$ 4,9 milhões como preço mínimo. No leilão seguinte, o lance foi de R$ 3,1 milhões. Na terceira tentativa, o Ibama tentou reduzir o preço mínimo para R$ 1,4 milhões, mas uma liminar impediu o deságio.
O gado foi apreendido durante a Operação Boi Pirata, no início de junho. Os animais eram criados ilegalmente na Estação Ecológica da Terra do Meio, no município de Altamira no Pará, e vão permanecer lá até que sejam vendidos.
A demora transforma o marketing bovino do ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) em um pesadelo. Somente os gastos com diárias de policiais e servidores destacados para vigiar os bois, combustível e sobrevôos de helicóptero já somam cerca de R$ 1 milhão, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.
A reportagem da Agência Brasil esteve na Estação Ecológica da Terra do Meio e verificou que o gado sofre com a estiagem. A equipe de repórteres visitou três dos dez pastos da fazenda e num deles avistou uma concentração de urubus. No local também havia duas carcaças de animais.
O Ibama espera também que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região derrube a liminar que impediu o deságio de 60% no último leilão. Na última quinta, a Procuradoria do Instituto entrou com um pedido de reconsideração das duas liminares concedidas pelo TRF ao fazendeiro Lourival Novaes Medrado dos Santos, proprietário dos animais. Mas, como como a decisão do Tribunal ainda não saiu, o órgão decidiu adiar o leilão.
Além de impedir o deságio no terceiro leilão, o fazendeiro também conseguiu suspender o perdimento do rebanho que havia sido decretado pela Justiça Federal em Altamira. Isso quer dizer que o gado fica sub júdice, ou seja, ele pode ser vendido, mas caso a Justiça entenda que o rebanho pertence ao antigo dono, o governo terá que compensar o prejuízo do fazendeiro.
Com isso, o dinheiro arrecadado, caso os animais sejam vendidos, vai ter que ser depositado judicialmente até que saia a sentença. E o governo vai ter que esperar o resultado do julgamento para que seja destinado ao Fome Zero.
No recurso apresentado ao TRF, a Procuradoria do Ibama argumentou que "insistir nas tentativas de alienar o gado apreendido a um preço completamente inflacionado é o mesmo que tornar inócua a própria decisão que autorizou a realização do leilão, já que, por óbvio, jamais aparecerão compradores".
Governo fala em distribuir carne
Depois de três tentativas de vender os 3.046 "bois piratas" apreendidos no Pará, o governo já admite que não conseguirá vender os bois. O Ibama estuda a possibilidade de permuta com frigoríficos para abate e distribuição da carne a programas sociais. A informação é do diretor de proteção do instituto, Flávio Montiel. O Ministério do Desenvolvimento Social abriria um edital recrutando frigoríficos, que receberiam os animais e se comprometeriam a entregar volume equivalente de carne. Contudo, segundo Montiel, a indústria não deverá ter benefício econômico. Com informações da Agência Brasil, Folha de S. Paulo, Canal Rural e Correio do Povo.