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Técnico da ABCZ: consultor, assessor e jurado - PECUÁRIA.COM.BR
 

Técnico da ABCZ: consultor, assessor e jurado

 
24/01/2008

Nelson Pineda

Conhecendo diferentes sistemas de produção, várias raças bovinas e outras associações, podemos afirmar que a ABCZ possui um corpo técnico diferenciado e motivado. Nossos técnicos têm formação sólida, são escolhidos por concurso e passam por um treinamento exaustivo antes de iniciar o atendimento ao criador. Muitos deles são jurados de destaque no âmbito nacional e mesmo internacional.

Um dos desafios da ABCZ sempre foi formar um corpo de técnicos, que tenham consciência de que são formadores de opinião que devem, por intermédio de seus atos e orientações, servir de elo de união entre os detentores da genética zebuína e os usuários deste material que, em última instância, são os criadores de rebanhos comerciais. Hoje, após anos de dedicação os técnicos usufruem o respeito da comunidade, são profissionais preparados, atualizados, emocionalmente estáveis, mas precisam de uma remuneração que lhes permita exercer suas funções com independência e objetividade. É obvio que nós, criadores, queremos usufruir destes conhecimentos e poder contratar estes profissionais como assessores das nossas propriedades e aproveitar assim a vivência de quem trabalha todos os dias com zebu.

Precisamos admitir que nossos técnicos de maior evidência, são chamados para prestar assessorias e que esta prestação de serviços ajuda a melhorar seus rendimentos. Porém, a maioria destas consultorias acontece em um mercado que não se caracteriza como uma relação trabalhista. Todo mundo sabe, todo mundo comenta, porém os técnicos da ABCZ estão atrelados a regulamentos internos da ABCZ que proíbem realizar esta atividade. Durante anos nos omitimos sem dar soluções para aquilo que todos sabem, mas continuam ignorando. Com o envolvimento em eventos comerciais televisionados para todo o Brasil, a atuação e os posicionamentos dos técnicos extravasam os limites de suas responsabilidades contratuais.

O convite para ser jurado é o reconhecimento público da competência do técnico. Mas, mesmo confiando no comportamento ético e imparcial quando é chamado a participar destes eventos e julgar animais de criadores para os quais dá assistência de forma informal, não resta dúvida que o técnico coloca em xeque o sistema, ficando difícil diferenciar os limites entre ser jurado ou técnico da ABCZ. Esta dicotomia gerou ao longo dos anos situações insustentáveis para a área técnica da casa. A sociedade se queixa nos bastidores, se omite sem ter a coragem de manifestar de forma clara e construtiva seu desacordo. Reconhecemos que na última gestão não conseguimos dar uma solução definitiva a esta ambigüidade.

Há a necessidade premente de criar mecanismos dentro da ABCZ que gerenciem este tipo de assessoria, que outorguem transparência ao sistema, a fim de gerar confiança na instituição. Deve ser visto com naturalidade que os jurados escolhidos para a exposição nacional declararem publicamente os serviços profissionais que exerceram nos dois últimos anos. Desta maneira, retirar-se do julgamento, dando lugar ao jurado suplente toda vez que animais dos criatórios assessorados estejam em pista, torna-se uma atitude transparente.

Precisamos admitir que a metodologia adotada para a escolha dos jurados da Expozebu, via voto do expositor, concede um ar de democracia participativa mal interpretada e leva, mesmo que inconscientemente, os jurados a adotar posições conciliatórias agradando a gregos e troianos em detrimento do uso de critérios essencialmente técnicos.

Como instituição detentora do registro genealógico a ABCZ deverá chamar para si a responsabilidade da escolha do juiz único, ponderando vários critérios, como experiência, capacitação profissional, repartição geográfica e oportunidade para novos valores. Será a oportunidade de enfrentar aquilo que todos comentam e censuram, que incomoda a grande maioria do corpo técnico da ABCZ, mas que até agora não tivemos a coragem de encarar.

Temos que avaliar a magnitude do problema, que é bem maior do que se pensa. A estrutura atual não tem condições operacionais para obter sucesso, a menos que, profundas transformações aconteçam no seio da instituição. A nova diretoria precisa adotar uma postura clara, esgotar a discussão se realmente quiser resolver o problema de forma duradoura e permanente.

Sempre existirá mais de um caminho, porém acreditamos que a solução definitiva não passa por decisões transitórias e sim por um grupo técnico com respaldo amplo, irrestrito e incondicional por parte da diretoria da ABCZ, capaz de gerenciar o processo sob critérios técnicos e essencialmente éticos. O ônus político, o desgaste emocional e social ao enfrentar esta situação será muito grande, mas será o recado claro de que os pecuaristas e o Brasil têm instituições que geram a confiança, pela qual estamos tão sedentos como cidadãos.

(*) Pineda é Pecuarista nos Estados de São Paulo e Bahia.

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