Cotações Mapas Notícias em seu e-mail
Precisa vender? Mais de 6.000 visitantes diariamente esperam pelo seu produto aqui no Pecuaria.com.br. Clique aqui e veja como e facil anunciar!
Arroba do Boi - R$ (À vista)
SP MS MG
143,00 136,00 136,00
GO MT RJ
133,00 132,00 135,00
Reposição - SP - R$
Bezerro 12m 1210,00
Garrote 18m 1420,00
Boi Magro 30m 1750,00
Bezerra 12m 900,00
Novilha 18m 1100,00
Vaca Boiadeira 1350,00

Atualizado em: 19/9/2017 11:04

Cotações da Arroba: SP-Noroeste, MS-Três Lagoas, MG - Triângulo, GO - Região Sul, MT - Rondonópolis, RJ-Campos
Clique aqui e veja cotações anteriores

 

 

 

 


 
Receba, diariamente, em seu
e-mail nosso boletim com os assuntos que mais interessam
ao profissional do setor.

Clique aqui e inscreva-se gratuitamente.


Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

Onda de suicídios entre pecuaristas franceses

 
 
 
Publicado em 06/09/2017

 

O criador de gado leiteiro, Jean-Pierre Le Guelvout chegou a ter 66 vacas em uma propriedade próspera no sul da Bretanha, mas a queda nos preços do leite e as dívidas acumuladas, aliadas à depressão e à preocupação com a saúde e a meia-idade começaram a pesar demais, chegando a um ponto insuportável.

Com apenas 46 anos, ele deu um tiro no próprio peito, no bosque atrás de sua casa, em um dia frio de dezembro do ano passado. “Era um lugar que ele amava, perto dos campos que eram sua vida”, conta a irmã, Marie, que se disse “muito próxima” a Jean-Pierre, mas que nem tinha ideia de que ele pensava em suicídio.

Essa tragédia engrossa o que já pode ser considerado uma epidemia de suicídios entre os produtores rurais franceses que as famílias, estoicas, o governo, as autoridades de saúde pública e os pesquisadores estão tentando assimilar.

Todos dizem que o grupo corre mais riscos por causa da natureza do trabalho que faz, que pode causar o isolamento, ser financeiramente precário e fisicamente exigente.

Para aqueles que não têm filhos para ajudar e eventualmente assumir as funções, o fardo é ainda mais pesado. A queda dos preços do leite e da carne, associada às dívidas e ao estresse, só agravou a situação nos últimos anos.

Tanto os pesquisadores como as organizações agrícolas admitem que o problema existe há anos, mas embora tenham reforçado as iniciativas para ajudar os produtores, é difícil avaliar e enumerar a efetividade dessas medidas e a consequência dos suicídios.

As estatísticas mais recentes, divulgadas pelo instituto de saúde pública francês em 2016, mostram que 985 profissionais do ramo se mataram entre 2007 e 2011, taxa 22% mais alta que a da população em geral.

E os estudiosos admitem que mesmo esse número, que vem aumentando com o tempo, pode estar subestimado. Eles temem que o problema persista, embora ainda não tenham analisado os dados mais recentes.

“O médico que faz a certidão de óbito pode simplesmente omitir a verdadeira causa”, admite Véronique Maeght-Lenormand, terapeuta ocupacional responsável pelo plano de prevenção de suicídio da associação de produtores Mutualité Sociale Agricole.

O motivo? “Algumas seguradoras não pagam nada para a família caso a pessoa tire a própria vida. Sem contar o peso da cultura judaico-cristã”, completa ela.

O caso de Jean-Pierre Le Guelvout veio à tona porque ele havia ficado relativamente famoso com a participação em um programa popular de TV, “L’Amour Est Dans le Pré” (“O Amor Está nos Campos”), um tipo de versão francesa de “The Bachelor” para ajudar as pessoas das zonas rurais a encontrarem companhia.

“Ele era muito ingênuo. Queria uma mulher que trabalhasse com ele na fazenda e sonhava em ser pai”, revela Marie Le Guelvout.

Sob vários aspectos, Le Guelvout representa o perfil do produtor agrícola que tem maiores chances de se matar, segundo as estatísticas de saúde pública, ou seja, homens de 45 a 54 anos que trabalham com pecuária.

“É nessa época que começam a ter pequenos problemas de saúde, a pensar para quem vão deixar a fazenda. E aí questionam todo o esforço que fizeram se não há ninguém para herdá-la”, explica Maeght-Lenormand.

Só que essa não é a única razão que leva à medida extrema.

“Tem a pressão financeira, os empréstimos”, enumera Nicolas Deffontaines, pesquisador do Cesaer, um centro de estudos da economia e da sociologia das áreas rurais.

“As dívidas podem levar o produtor a fazer investimentos ainda maiores, tanto pessoais como financeiros. Eles caem de cabeça no trabalho e fazem mais empréstimos para pagar os antigos. Isso só aumenta a sensação de isolamento e o buraco em que já estão metidos.”

E de uns anos para cá, essas pressões financeiras só se tornaram mais onerosas: em 2015, por exemplo, a União Europeia acabou com as cotas para os produtores de leite, criadas para evitar a superprodução.

Desde então, certos produtos sofrem com o excesso de oferta: os preços do leite caíram abaixo do mínimo que as associações dizem ser necessário para administrar e manter uma propriedade, quanto mais ter lucro.

Essa decisão veio depois da imposição por parte do bloco de sanções à Rússia, reação gerada pela ocupação de parte da Ucrânia por aquele país, eliminando um mercado de exportação que já foi bem robusto para os europeus em 2014.

E como vários laticínios fecharam as portas, o número de vacas abatidas passou a ser maior, fazendo com que o preço da carne também despencasse, mesmo com os franceses tendo reduzido o consumo em 27 por cento entre 1998 e 2013, segundo algumas estatísticas.

Sete anos atrás, o governo francês começou a lidar com o índice crescente de suicídios entre produtores, e o ministro da Agricultura da época, Bruno Le Maire, levantou a bandeira em nível nacional.

Desde então, várias medidas foram tomadas em conjunto com a organização agrícola Mutualité Sociale Agricole.

Em 2014, uma linha especial chamada Agri’écoute (Escuta aos Produtores) foi criada como canal de desabafo para esses profissionais, além de grupos multidisciplinares para ajudá-los a resolver questões financeiras, médicas, legais e familiares. Em 2016, essas unidades acompanharam 1.352 casos em toda a França.

Grande parte dessa atenção foi para os solteiros ou viúvos – mas Maeght-Lenormand, da associação, confessa que conquistar a confiança deles não é fácil.

“Eles pagam contribuições sociais para nós, ou seja, vão nos encarar primeiro como arrecadadores”, explica.

Por isso, outras instituições como a Solidarité Paysans (Solidariedade aos Camponeses) também se envolveram na iniciativa.

Em 2015, Véronique Louazel, que trabalha na agência nacional de associação solidária, reuniu-se com 27 produtores em dificuldades para um estudo sobre a crise que a ocupação enfrenta.

E descobriu que eles geralmente relutam em falar sobre suas dificuldades, da mesma forma que não conseguem se imaginar fazendo outra coisa. “Eles têm uma cultura muito forte de trabalho pesado e esforço; sem contar que não posuem o hábito de se queixar”, esclarece ela.

Entretanto, as coisas estão começando a mudar, já que muitos estão se abrindo.

Cyril Belliard, 52 anos, é um deles. Não faz muito tempo contou sua história para um pequeno grupo de apoio que se reunira em sua casa minúscula, em Vendée, região agrícola no oeste da França.

Revelou que trabalhava no campo desde 1996, mas, de uns tempos para cá, começou a ver os cabritos morrendo, um após o outro, de uma doença misteriosa que nem ele, nem o veterinário conseguiam identificar. As dívidas passaram a se acumular, e os processos judiciais começaram.

“Fui morar em um trailer para evitar pagar aluguel. Eram 35 metros quadrados para a família inteira viver, comer e dormir”, descreve.

Pai de três filhos, para alimentar a família, Belliard dependia de doações e do apoio da Solidarité Paysans, até que, em março, decidiu vender o negócio para um produtor mais jovem.

“Segurei a bucha graças ao esporte, que pratico desde os 18 anos, e aos meus filhos, que sempre foram minha prioridade absoluta”, conclui.

Agora já pensa em mudar de profissão, embora abandonar uma vida inteira passada no campo não seja fácil e nem sempre uma opção.

Desde o suicídio de Jean-Pierre Le Guelvout, seu irmão André, 52 anos, assumiu a propriedade na Bretanha, e Marie teme que ele não consiga dar conta do volume de trabalho, que antes era compartilhado. Recentemente, a família decidiu parar com a produção de leite e vender parte do rebanho.

“André trabalhou a vida toda no campo. Agora só quero que consiga viver em paz na fazenda até poder se aposentar”, diz ela.  Com informações da Gazeta do Povo.

  Compartilhe Compartilhe esta matéria    Imprimir

 


   Leia também:
 
[19/09/2017] - A JBS tentou manipular o mercado contra prisões?
[19/09/2017] - Conflito entre a JBS e o BNDES deve aumentar
[19/09/2017] - Arroba: frigoríficos tentam pagar menos pelo boi
[19/09/2017] - Reposição: preços firmes
[19/09/2017] - Confinamento deverá cair, mesmo com arroba maior
[19/09/2017] - Governo deve estender prazo para o Funrural
[19/09/2017] - Exportações de carne argentina crescerão 25%
[19/09/2017] - Pecuaristas mineiros terão que se recadastrar
[19/09/2017] - O crédito rural vai acabar?

Regras para a publicação de comentários


   Notícias Anteriores
 
[18/09/2017] - Fundador da JBS assume presidência aos 84 anos
[18/09/2017] - BNDES chama eleição na JBS de malandragem
[18/09/2017] - Grupo avalia comprar o controle da JBS
[18/09/2017] - Frigoríficos reabrem unidades por crise da JBS
[18/09/2017] - Arroba: frigoríficos pressionam por preços menores
[18/09/2017] - Carne: margens dos frigoríficos sob pressão
[18/09/2017] - Frigoríficos pressionam por mais vendas à Rússia
[18/09/2017] - Piora situação do pecuarista na compra de milho
[18/09/2017] - Laticínio fecha e prejudica pecuaristas no MS
[15/09/2017] - Pecuaristas voltam a desconfiar do futuro da JBS
[15/09/2017] - Bancos procuram comprador para a JBS
[15/09/2017] - Fachin decide manter Joesley e Saud presos
[15/09/2017] - Janot cancela delação de Batista e Saud
[15/09/2017] - BNDES pressiona por influência maior na JBS
[15/09/2017] - CADE pede punição a Junior Friboi por cartel
[15/09/2017] - Arroba: frigoríficos aproveitam prisão
[15/09/2017] - Indefinição na arroba trava negócios de reposição
[15/09/2017] - Pecuaristas europeus pressionam contra o Mercosul
[14/09/2017] - PF faz buscas em apartamento e empresas de Maggi
[14/09/2017] - Maggi: Fux diz ver fortes indícios de crimes
[14/09/2017] - Arroba: motivo de preocupação?
[14/09/2017] - Arroba caiu. Efeito Wesley?
[14/09/2017] - JBS suspende compra de gado após prisão de Wesley
[14/09/2017] - Oferta curta segura efeito JBS no mercado do boi
[14/09/2017] - JBS: novo presidente deve ser de fora da família
[14/09/2017] - Frigorífico interditado dá prejuízo a pecuaristas
[14/09/2017] - Produtores protestam contra importação de leite
[14/09/2017] - Funrural: produtor rural não é caloteiro
[14/09/2017] - Força da carne puxa exportações do agro
[13/09/2017] - PF prende Wesley Batista, presidente da JBS
[13/09/2017] - Aumentam incertezas quanto ao futuro da JBS
[13/09/2017] - Quem será o novo presidente da JBS?
[13/09/2017] - Arroba: vendas fracas de carne travam alta do boi
[13/09/2017] - Exportação de boi em pé teve alta de 25%
[13/09/2017] - Abates batem recorde do ano no Mato Grosso
[13/09/2017] - Brasil importou menos lácteos em agosto
[13/09/2017] - Medida do Senado acaba com a dívida do Funrural
[12/09/2017] - Arroba: alta continua no Mato Grosso
[12/09/2017] - Arroba: prisão de delatores vai derrubar o boi?
[12/09/2017] - Missões dos EUA e da UE vêm inspecionar unidades
[12/09/2017] - Aumenta a confiança de supermercadistas
[12/09/2017] - Justiça manda JBS reabrir frigorífico
[12/09/2017] - Brasil vai ao Irã para aumentar exportações
[12/09/2017] - Reposição aquecida no Rio de Janeiro
[12/09/2017] - O Funrural vai ou não acabar?
[12/09/2017] - Investidores apostam em raça brasileira
[12/09/2017] - Decisão do STF pode derrubar PIB do Agro
[12/09/2017] - Igreja pode fechar compra do Canal Rural
[11/09/2017] - Arroba seguirá em alta?
[11/09/2017] - Pecuaristas de SP vão buscar boi magro no Pará

     Clique aqui para ver o índice geral de noticias


 

 

 

Adicione seu site Comprar e vender Atendimento ao anunciante Mais buscados

Venda para a pecuária brasileira através da Internet!
Clique aqui e veja como anunciar no Pecuária.com.br